Lançamento de The Beatles Rock Band! Não foi como esperado!

Meia-noite de 9/9/9. Menos de 12 graus nas ruas de São Francisco. Na hora exata do lançamento de The Beatles Rock Band, apenas seis fãs aguardavam em uma loja.

Mas como será possível que um dos lançamentos mais esperados do ano, tanto por fãs de games quantos por fãs de música, não tenha atraído uma turba às lojas? The Beatles Rock Band não foi recebido com a histeria que novos episódios de games como Halo ou Gears of War costumam causar.

Uma primeira leitura pode identificar aí um fracasso. Mas pode ser apenas que o game desperte sentimentos menos histéricos. E isso pode se refletir no comportamento do público. Em vez de acampar na frente das lojas para conseguir o jogo no minuto do lançamento, como outros jogadores fazem, os beatlemaníacos do século 21 parecem mais maduros.

Se for possível pegar o game no instante do lançamento, ótimo, se não, pode ser no dia seguinte. E isso é apatia. O jogo explodiu em pré-vendas. As pessoas pagaram adiantado para garantir que teriam o game na hora em que quisessem. A venda foi tão grande que praticamente todas as cópias foram vendidas até a próxima semana.

Até a noite de sexta-feira, era impossível encontrar o conjunto completo à venda nas lojas. Já estava tudo reservado.

Quero ser John Lennon

Em inúmeras lojas havia totens com o game completo, guitarras e bateria inclusive, para demonstração. E nós jogamos. Para quem nunca jogou Rock Band, vale explicar, o jogo funciona assim: são cinco botões, de cores diferentes, que devem ser apertados na hora certa, em sincronia com a música.

Se fizer tudo certinho, o jogador vai encadeando os acordes do instrumento que escolheu. Quanto melhor a harmonia entre os instrumentos, melhor é o desempenho no jogo.

Jogar sozinho é mais ou menos como jogar Guitar Hero, mas com o charme dos Beatles. Cantar as músicas no microfone é o mais bacana. Consegui arrumar mais dois jogadores para me acompanhar. Todo mundo cantando junto é divertido e acessível – e emocionante, no caso de beatlemaníacos.

Quem não se dá bem com os controles participa cantando. E nem precisa ser em bom inglês. Cantarolar na mesma cadência e sonoridade também vale.

The Beatles Rock Band é uma bela experiência musical interativa. Com uma pequena ajuda dos amigos, você embarca com tudo no submarino amarelo.

Nos Estados Unidos, custa US$ 60, só o game, para Wii, Xbox 360 e PS3. A versão completa custa US$ 250, sem as réplicas das guitarras Rickenbacker 325 de John Lennon ou a Gretsch Duo Jet de George Harrison, que são vendidas separadamente por US$ 100 cada.

No Brasil, o jogo está à venda por R$ 250; estima-se que o kit completo custe, aqui, entre R$ 2.500 e R$ 3.000.

Beatles encontram novo público

Com a crise financeira mundial, o mercado de games enfrenta queda de 46% no volume de vendas acumulado em 2009, segundo informações da NPD Group. Os Beatles se tornaram então a grande esperança dos consoles e da produtora Harmonix para uma virada nas contas do segundo semestre.


A expectativa em torno do jogo The Beatles: Rock Band é justamente a de conquistar parte do público que nunca se importou muito com videogames, mas que combina a adoração pelos quatro rapazes de Liverpool com o ímpeto de colecionar praticamente qualquer coisa relacionada à banda.

Ao mesmo tempo, 4 décadas separam o lançamento de Rock Band do último disco na carreira dos Beatles (Let It Be, lançado em 1970) – uma distância significativa, apesar dos vários relançamentos e remasterizações que preenchem a lacuna deixada pelo fim do conjunto.

Para uma banda que nunca foi distribuída oficialmente em formato digital, o videogame pode ser o ambiente mais propício para o encontro entre a música que marcou a história do século 20 com a geração que inaugura o século 21.

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